It’s complicated

Fico esperando que aconteça determinada cena, em uma festa, nenhuma das duas sóbrias. Alguma música que a gente conhece tocando. O momento vai ficar em câmera lenta, o som das vozes do meu lado vai sumir, eu vou fazer uma cara triste e olhar diretamente pra ela. A gente vai piscar devagar. Vai demorar um longo tempo, na minha cabeça, até eu desviar o olhar e sair. Vou esperar que ela venha atrás de mim, que puxe o meu braço e nem fale nada. Vai tocar Hero da Regina Spektor como plano de fundo dos meus pensamentos. Ela vai pegar nas minhas duas mãos e olhar pra mim. Vai respirar fundo. Abrir a boca e não saber o que falar. It’s alright, it’s alright, it’s alright. Vai me puxar pra mais perto, apertar mais firme as minhas mãos. I’m the hero of the story. Vai me beijar devagar, lento, como todas as outras vezes, mas mais sério. Don’t need to be saved. Eu vou lembrar da onde é essa música. She never saw it coming at all. Vou sair pro vento da rua, caminhar até um banco, ainda ignorando as vozes ao meu redor, olhar pra trás e ver que ninguém veio. Sentar, acender um cigarro, olhar pra cima. It’s alright, alright, alright.

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