Eu Gosto de Você

Eu poderia te dizer o que eu sinto, mas aí não teria volta. As palavras iriam de encontro aos teus ouvidos, e sabe Deus como você reagiria. Se você iria correr até mim, ou fugir para pegar o táxi mais próximo. Há sempre um perigo em assumir que se gosta de alguém. Ainda mais quando você mal sabe onde está se metendo. Apesar do sentimento ser algo bonito, às vezes você está entrando em um lugar cheio de arame farpado. E eu não quero e nem posso mais sangrar assim. Faz tempo que consegui estancar minhas feridas, disfarçar a marca das cicatrizes. Foi com cuidado que eu esqueci o que achei que nunca precisaria esquecer. Foi com cautela que me levantei e me vi acreditando de novo no amor. E aí que eu falei pra mim mesma que não iria mais arrear meus pneus por ninguém, até que você me apareceu e me levou ao chão com um golpe só. Fui nocauteada pelo teu sorriso largo. O teu abraço passou a ser necessidade diária. E quando eu entrava no chuveiro e fechava os olhos, eu só conseguia pensar em você, que acabara de sair do meu quarto há menos de uma hora. A gente sabe que gosta de alguém quando sente medo. Quando sente medo de dar o próximo passo. Quando sente medo de dizer alguma coisa e parecer carente demais. Sozinho demais. Tolo demais. Eu vim maneirando no meu jeito de dizer as coisas, mas a verdade é uma só: EU GOSTO DE VOCÊ.

(500) Dias com Ela

Todos conhecem esta história.

Mas (500) Days of Summer, de 2009, filme dirigido por Marc Webb, pega o caminho oposto ao entregar, já no início, duas coisas.

A primeira (e mais importante, na minha opinião)…

Então, esqueça aquelas bobagens de comédias românticas e aceite isso. Aceitando, assistirá a um dos poucos filmes mais fiéis com a realidade. E um dos mais lindos também.

O que nos leva ao segundo ponto, e pode ser considerado spoiler. Mas é bem provável que você, assim como eu, antes de assistir, já conheça o desfecho do filme.

Durante os quase 90 minutos de filme, a sensação de “Ei, isso já aconteceu comigo!” ou “Ei, um amigo meu passou por isso!” era frequente. E acho que este é o maior mérito de (500) Days of Summer, que foge daquelas besteiras de reviravoltas comuns em filmes do gênero. Porque o que o roteiro aqui apresenta é a dura verdade da vida, da maioria dos relacionamentos.

E há várias pegadinhas no caminho.

Muito se discute sobre Summer ser uma vadia, afinal ela recusou Tom, pois não queria nada sério, um namoro, não “queria ser algo de alguém”, e termina o longa devidamente casada. Não, ela não é. Ela é uma personagem como várias garotas e mulheres por aí, com seus sentimentos, com seus momentos…

Certa vez, inclusive, uma garota disse que não queria nada comigo justamente porque queria se concentrar nos estudos e apenas depois disso, quando fosse o momento, pensaria em namoro. Oito meses depois, estava casada. Acontece. É a vida, é o risco de se arriscar.

Não é porque uma garota me dispensou que ela é uma vadia. Nem ela ter se relacionado com vários caras antes de mim, como já aconteceu. Não é ela querer minha amizade apenas, mesmo sabendo de meus sentimentos. Na verdade, ninguém pode rotular ou julgar alguém de vadia se baseando apenas num conceito ou preconceito formado.

Num determinado momento do filme, numa das várias jogadas visuais legais, a tela se divide em EXPECTATIVA e REALIDADE.

Quando uma diverge da outra, vem a frustração, a raiva…

Então Tom entende que acabou, que é preciso seguir em frente. E são assim os relacionamentos. E o filme outra vez deixa algo bem claro.

Términos nunca são fáceis. Assim como a continuação da vida.

Quando meu último namoro acabou, eu me senti anestesiado demais, assim como Tom. Numa das cenas mais engraçadas para mim, ele começa a ver o mundo com pessimismo e, ao ser chamado pelo chefe da empresa de cartões de mensagens em que trabalha, passa a ser responsável pela área de luto e condolências. E eu me senti assim todas as vezes.

E esta última foi uma das piores.

Assim como Tom, fiquei dias e dias revivendo os momentos passados, em busca de sinais de quando as coisas começaram a falhar, quando ela deixou de me amar. Fiquei pensando na frase que ela me disse quando iniciou um novo relacionamento, que o novo namorado a fazia se sentir bem e ela precisava disso.

Anos atrás, aconteceu algo similar.

O problema nunca foi a Summer. Ela sempre foi sincera com Tom. O problema foi a expectativa depositada e a realidade recebida. Cego demais, ele não notou momentos que revelavam que o relacionamento (que nunca foi um namoro, e sim uma amizade colorida, algo casual) não daria certo. A intimidade conquistada foi algo especial para ambos, mas para ela Tom era um grande amigo íntimo, com quem queria compartilhar das coisas que gostava.

Noutras palavras, Tom era o problema.

Eu era o problema.

Relacionamentos são delicados. Pessoas são complexas.

Mandar mensagens e ligar ininterruptamente não farão as coisas mudarem. Fazer escândalos muito menos.

É preciso aceitar que acabou, seguir a vida e aprender com os erros.

Quando Tom, que acreditava em destino, almas gêmeas e que a vida só seria feliz com alguém, compreendeu parte disso, de que não há destino, e sim acasos e pontos de vistas diferentes, que é preciso mudar para viver algumas coisas.

O filme não conta uma história de amor e superação, e sim conta uma das várias histórias que podem ter acontecido ou acontecem ou acontecerão no mundo.

No meu caso, o fim do último namoro me ensinou que é preciso controlar a expectativa e aceitar a realidade, que a depressão não é algo que as pessoas lidam bem… e pessoas buscam certezas e estabilidade em relacionamentos, coisas que não posso dar no momento. Porque hoje estou bem comigo mesmo, mas amanhã talvez não. E é preciso tratar, ou amargarei em mil e um outros relacionamentos, fazendo quem amo feliz.

Enfim, fica a dica de filme para quem está precisando rever alguns conceitos, distrair ou se emocionar com as “meras coincidências” presentes no decorrer dos minutos. É uma experiência fantástica, que nos mostra que boas histórias não precisam de muito para serem interessantes.

E fiquem com esta música, cuja letra combina muito com o filme. Foi um dos achados dos últimos dias, neste momento de reflexão em que vivo.

Meia Palavra Basta

Passava da meia-noite, decidiu ligar e colocar ponto final à sua insônia.


– Alô?
– Te acordei?
– Mais ou menos… Eu estava assistindo um filme.
– Qual filme?
– Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças.
– Muito bom esse.
– Por que me ligou?



– Sei o que acontece com você.
– Sabe?
– Sim.



– Mas não podemos.
– Podemos sim.
– Não.
– Você não quer.



– Quer?
– Não podemos!
– Eu sabia! Você não quer.

Desligou.

Cinco minutos se passaram, ela ligou de volta. Ela assistia Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças.

– Eu quero, eu te quero há um bom tempo.
– Quer?

Ela sorria.

– Sim… Mas não deveríamos, não deveria ser tão difícil, não deveria ser tão complicado.

(Silêncio)

– Você me ama?

Não precisava nem pensar.

– Gostaria de dizer que te amo… Mas você não nos deu essa chance ainda.





– Boa noite, tenha bons sonhos.
– Você também.
– Eu te amo.
– Eu também.

Lamento

Mal-aventurados aqueles que optam pela estabilidade e pelo conforto e que domesticados, seguem a vida em ritmo previsível. Criaturas em estado irreversível de torpor que com sanidade, atenuam os ávidos sentimentos capazes de estrangular a sua alma.
(Aprecio os desejos urgentes, as paixões desmedidas que nada respeitam.)
Infelizes aqueles que buscam uma estrada segura e asfaltada e que desorientados, amedrontam-se com os caminhos sinuosos à beira do abismo. Seres moribundos que incrustados em seus hábitos, evitam os arriscados itinerários por receio das terríveis emboscadas.
(Não há nada tão perturbador quanto a monotonia de determinados trajetos.)
O meu desprezo é direcionado aos covardes de espírito seco e de coração oco que temem a intensidade de existir. Portanto, meu bem, não seja dominado pela apatia: lembre-se de que não há esperança para aqueles que negligenciam as suas próprias emoções.

Que

ainda ébrio

dois dias passados

o sabor e cheiro da tua

[libido]

nas narinas, na língua,

na cabeça,

está dentro

[da minha pele]

os poros libertam

e lembram

que estás cá

que o desejo não morra

que as palavras te façam imortal

que aquela estrela seja morada eterna

[tua]

o teu ventre almofada celeste à minha cabeça cansada

agora vou chorar

Dos seus Pecados

E nessa hora que empurro-te contra a parede e engulo-te toda, faminta, exagerada, explosiva e quase cortante.

Com minha língua em ritmo de Tango, faço você ter a certeza de que deveria pecar mais vezes e rezar menos.

Seguro seus pulsos, devoro a pele fina do seu pescoço, encaro-te e faço você sentir-se livre para ser uma presa fácil, afinal, pelo menos em minha imaginação, você é minha, e ninguém nos vê.

Carnívoros

Carnívoros, abrem os maxilares e atiram-se. São presa e predador num
só corpo. Devoram-se, objetos dos seus desejos. Peles que se roçam,
centelhas de braços, membros ávidos de carne, pêlos eriçados, um
rouco resfolegar a cuspir na orelha um do outro palavras de fogo. Os
corpos abrem-se, oferecem-se. Lábios sedentos pousam sobre bocas
incandescentes. Lançam desafios. Todos os golpes são permitidos.
Mergulham orgulhosamente. Valorosos. Uivam, contorcem-se,
entregam-se, desenham furiosos movimentos circundantes.
Explodem. Depois, se a alma se entreabrir e deixar penetrar a
intimidade, o medo perfila-se, retundidos, cerram-se.

Momento

Caramba! Até aquele momento incrível que se passa ali entre a vigília e o sonho, aquele
hiato em que se dá o completo relaxamento muscular e a absoluta diminuição dos
sentidos, em que tudo é essência, em que é possível lograr ou perder tudo o que se
deseja, em que não há nem alegria nem tristeza, nem gritos nem silêncios, luz ou
obscuridade, em que reina a paz completa e se pode transitar livremente da fantasia para a realidade e da realidade para a fantasia, se tornou um lugar perigoso para se
estar!

Pocahontas

Ela: quem é Pocahontas?

Me: você uai, oxe

Ela: hãmmm

Me: você é a cara dela, achei que faria mais sentido por esse nome

Ela: ahhhhh, precisa voltar ao oftalmologista

Me: eu não!

Ela: então você será a Dory

Me: ownnnn, me chamando de dissimulada é???

Ela: você é tão fã do desenho que usei a lógica (risos)

Me: então usei a mesma lógica para Pocahontas – ÍNDIA

Apetece-me que índios comem peixe né?!

Ela: você é cruel! Só pensa nisso?

Me: o tempo todo (risos)

Ela: eu sei que não, mas é bom saber que posso te comer (risos)

Me: medooooo

A tua escrava

E quando a violência dos nossos corpos atravessar o canal da linguagem, passar para
além das palavras, para além de tudo o que possam dizer as palavras, ocupar-me-ei do
teu corpo, centímetro a centímetro, explorá-lo-ei, acariciá-lo-ei, farei jorrar prazer
de cada poro da tua pele. Será a grande ocupação da minha vida: dar-te prazer…
tratar-te como uma grande rainha. Apenas ouvirás o roçar do meu corpo contra o
teu, as gotículas de suor que rolam na tua pele, a minha boca que as vai sorver, que
subirá à tua orelha e repetirá incansavelmente: “diz-me o que queres”. Depois,
enxaguarei o teu corpo dessa água que corre, dessa sede que jorra entre a tua e a
minha pele, essa sede nunca saciada que encontra mil fontes novas em mil recantos
escondidos no teu corpo espantado. Por fim deixaremos a beira-mar, os rochedos, a
espuma suja das vagas, afogar-nos-emos naquela água salgada, lamber-nos-emos,
respirar-nos-emos, ergueremos a cabeça para recuperar o fôlego e partiremos para mais
longe dançando no desconhecido caminho marítimo dos nossos corpos …