DO PECADO

Entrega-se com facilidade. Sente a tentação de cometer o irreparável, de transgredir o sacrossanto regulamento, de desafiar permanentemente a ordem estabelecida da sua vida. Adulta infantilizada, aterrorizada e ao mesmo tempo excitada pelas suas minúsculas ignomínias, sente-se agora, mais do que nunca, secretamente cúmplice de uns e de outros. No ar, suspenso, paira a erradicação do sacrilégio, o sentimento gratificante de não trair em vão. Tenta convencer-se de que tocarem-se de leve, acariciaram-se discretamente nos intervalos do almoço. Uma lufada de sexo cru em dias alternados, onde podem se entregar à vontade durante um par de horas e depois voltar a casa, constituem outros tantos sinais de libertação.

Pobre criatura, no que foi se meter!?

O VELHO Bukowski

A tua vida é a tua vida
Não a deixes ser dividida em submissão fria.
Está atento
Há outros caminhos,
Há uma luz algures.
Pode não ser muita luz mas
vence a escuridão.
Está atento.
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses.
Conhece-as.
Agarra-as.
Não podes vencer a morte mas
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais aprendes a fazê-lo,
mais luz haverá.
A tua vida é a tua vida.
Memoriza-o enquanto a tens.
És magnífico.
Os deuses esperam por se deliciarem
em ti.

__ Charles Bukowski – The Laughing Heart

CONDIÇÃO

Às vezes em que me sinto mulher de forma mais notável nada têm a ver com um corpo masculino biblicamente unido ao meu. São repentes revestidos de razões insidiosas que surgem se impondo sobre as previsibilidades todas, e cuja principal prerrogativa é a maestria em transcender o banal — e, nessas horas, me sinto completa e desmedidamente mulher. Fêmea.

Nesses instantes não temo essa misteriosa condição feminina, e chego a quase compreendê-la — e, ainda que não a desvende claramente, emudeço os questionamentos e a ela me entrego, transfigurada em docilidade febril, e sinto seus assomos a me fervilharem o sangue enquanto meus olhos, fixos no espelho, acompanham a camisola de seda percorrendo meu corpo rumo ao chão em uma carícia trêmula de mãos de amante, ou quando me surpreendo a dilacerar os descabimentos e incompreensões com toda a indisciplina dos meus instintos e minhas unhas vermelho-escuras. E a sinto no simples arfar do peito, no eriçar dos pêlos, nas minhas gotas que me encharcam a roupa e deixam rastros cálidos de insensatez sob meus pés nus durante esses arroubos deliciosamente imprevisíveis.

Nesses instantes — em que me desligo, destituída de culpas ou consciências, de quaisquer premeditações e moralismos para apenas gozar a languidez dos mistérios deste sexo tão singular na intimidade do meu espírito — ignoro tudo que não seja essa feminilidade visceral e selvagem, e me deixo possuir, anônima, inteira, pelo seu despudor sacrossanto e incoercível, pela sua fúria mansa de ingenuidade diabolicamente despretensiosa. E não raciocino, e não me renego, e não me retenho: apenas sinto, ilimitada e veemente, a explosão devastadora desse estado inexplicável, causa e efeito da minha alma de mulher.

CONSELHO DE CAFAJESTE

“já senti que ele bloqueia quem comenta os comportamentos dele. simplesmente gelou com a ex-namorada, não gostou quando ela mandou ele fazer análise.”

“credo. quanta sensibilidade…”

“eu não estou brincando, tá?”

“sério. vou dar um conselho: peça o cara em namoro, jure e cobre fidelidade, faça um contrato, um pacto de seriedade. tome a iniciativa e veja o que acontece. pare com esse negócio de fazer de conta que não quer, depois cobrar um comportamento responsável.”

“mas e se ele abre mão de tudo?”

“se for assim é porque não valia a pena. como eu disse, seja direta, diga que é séria e quer fidelidade, que esse negócio de só ficar não é com você.”

“se eu me sinto feia, você me convence que sou bonita. se estou insegura ou deprimida, você me dá uma solução. que bom! vou tentar.”

“só fico triste em saber que quando você resolver sua questão afetiva, um dia vou te chamar pra sair, e você vai dizer que não pode, que está namorando, que descobriu o amor, essas coisas. é sempre assim, o cafajeste fica sozinho no final.”

“que nada. os cafajestes ficam sempre com as melhores mulheres.”

MATRIX

Se a injeção fizer efeito, irás ficar igual aos outros, com demasiado medo de quebrar as regras, contentando-te em desprezar quem for menos importante que tu, obedecendo às ordens de quem estiver acima de ti. E se não fizer efeito continuarás, aos olhos deles, uma aberração.

DOS ESCRITORES RUSSOS

Tem dezoito anos de idade, estuda no primeiro ano da faculdade. Conta-me, enquanto contempla as lombadas dos livros bem torneados e arrumados na prateleira, que anda a ler Anna Karenina e que não sabe se vai conseguir aguentar o livro até ao fim. Que tem chorado muito. Lágrimas grossas. Que enquanto lê, o seu coração palpita nas trevas do seu quarto. Que quando Anna foi ver o filho às escondidas ao palacete de S. Petersburgo, com a cumplicidade do velho mordomo e o marido a surpreendeu, parecia que ela própria estava no quarto de Sergei, ali a assistir a toda aquela cena. Que naquele livro tudo produz sons: as campainhas dos cavalos detendo-se diante do portão, as pesadas portas do palácio que se abrem e fecham no mesmo instante, o roçar dos vestidos e os passos precipitados na grande escadaria. As lágrimas e o medo do passo forte do Conde Karenin, o seu olhar impiedoso que numa simples ordem muda remete a sua heroína à sua vida de mulher adultera, desprezada por todos. Questionando-me com uma emoção latente: “como conseguia Tolstoi fazer aquilo?

O HOMEM QUE NÃO AMAVA AS MULHERES

Não consegue amar as mulheres. Consegue seduzi-las, assediá-las, apertar-se contra elas, acariciá-las, oferecer-lhes o mais profundo do seu corpo, mas não as ama. Nunca lhes permite o acesso a um grama da sua intimidade. Por intimidade, entende tudo aquilo que é em si secreto, aferrolhado, interdito. Não compreende o seu corpo. É bastante generoso com ele. Oferece-o facilmente.

As mulheres, acolhe-as quando o desejo de se fundir noutro corpo, noutras palavras, noutros projetos, é excessivamente forte. Quando a necessidade de dois braços à sua volta se torna imperiosa, lança-se a elas, promete-lhes mil alegrias, mil felicidades… para se afastar sem olhar para trás depois de saciado.

DIA 01

– Sabes o que vou fazer esta noite? Olhou-me desconfiada, sem dizer uma palavra.

– Vou contar-te a tua vida como se tu fosses a heroína de um romance…

Endireitou as costas e escutou-me, desconcertada, com os olhos a brilhar. Subiu à ribalta, os seus trapos de mulher amarga caíram em farrapos espalhados pelo soalho de sucupira.

Fale sobre você (exemplo de post)

Este é um exemplo de post, publicado originalmente como parte da Blogging University. Inscreva-se em um dos nossos 10 programas e comece o seu blog do jeito certo.

Você vai publicar um post hoje. Não se preocupe com a aparência do seu blog. Não tem problema se você ainda não tiver dado um nome para ele ou se parecer complicado. Basta clicar no botão “Novo post” e dizer por que você está aqui.

Por que fazer isso?

  • Para contextualizar novos leitores. Qual seu objetivo? Por que as pessoas deveriam ler seu blog?
  • Isso ajudará você a se concentrar nas suas próprias ideias para seu blog, bem como o que você pretende com ele.

O post pode ser curto ou longo, uma introdução à sua vida ou uma declaração de missão para o blog, um manifesto para o futuro ou um simples resumo dos tópicos que você planeja publicar.

Para ajudar você a começar, confira algumas perguntas:

  • Por que você está fazendo um blog público, em vez de manter um diário pessoal?
  • Sobre quais assuntos você quer escrever?
  • Com quem você gostaria de se conectar por meio do blog?
  • Se você usar o blog direitinho durante o próximo ano, o que espera conquistar?

Você não precisa se ater a nada disso. Uma das partes mais interessantes sobre os blogs é que eles evoluem constantemente enquanto aprendemos, crescemos e interagimos uns com os outros, mas é sempre bom saber de onde e por que você começou. Além disso, organizar seus objetivos pode dar ideias para outros posts.

Não sabe por onde começar? Escreva o que vier primeiro à cabeça. Anne Lamott, autora de um livro sobre escrita que amamos, diz que você precisa se permitir escrever um “primeiro esboço ruim”. Anne tem razão. Comece a escrever e se preocupe em editar depois.

Quando estiver tudo pronto para publicar, selecione de três a cinco tags que descrevam o foco do seu blog, como escrita, fotografia, ficção, maternidade, gastronomia, carros, filmes, esportes ou o que for. Essas tags ajudarão as pessoas que se interessam por esses tópicos a encontrar seu blog no Leitor. Não deixe de incluir a tag “zerotohero” para que novos blogueiros também encontrem você.

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